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17 de dezembro de 2025 

Saúde do Trabalhador

Projeto Vida Pós Resgate funda mais duas associações e chega à Minas Gerais

Nos dias 10 e 11 de dezembro, o Projeto Vida Pós Resgate participou da fundação de duas associações de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão. Essas duas associações inicialmente vão produzir ovos em granjas agroecológicas e se somam às oito criadas desde o início do projeto, em 2021, nas regiões mais pobres da Bahia e de Minas Gerais, que reúnem 15 unidades produtivas tocadas por 115 trabalhadores e suas famílias. Todos vivendo em sua região de origem e com perspectivas reais de alcançarem renda suficiente para uma vida digna.

  A necessidade de resgate de trabalhadores em pleno século 21 não é algo a se comemorar, mas em três anos, o Vida Pós Resgate apoiou 10 associações de trabalho, que tocam 15 unidades produtivas de galinhas, hortaliças, ovinos, cacau, café, maracujá e peixes no interior da Bahia e no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, onde estão as duas associações inauguradas este mês.   Os pesquisadores que coordenam o projeto comemoram os resultados até aqui. “Até o momento, tivemos um único caso mais problemático, a associação de Una, prejudicada por conflitos entre os associados, mas ainda assim contando com todo o apoio material e técnico do projeto e de instituições parceiras, como a prefeitura local. Todas as outras têm sido um sucesso, ainda que em diferentes estágios do apoio do Vida Pós Resgate”, conta Rafael Vieira da Silva, coordenador operacional do projeto, que destaca as associações de Monte Santo, ainda no segundo ciclo de produção e que já conseguiu realizar várias vendas, repor plantel e manter 

dinheiro em caixa. E a de Bonito, que avança rapidamente graças à postura dos associados. “Eles finalizaram as obras da granja agroecológica muito rápido, correram atrás de meios para perfurar um poço em cada unidade produtiva, propuseram inserir suas plantações de café entre várias outras demonstrações positivas. É hoje uma associação modelo”, diz Rafael.

 

Dignidade e autonomia  

  “A meta a longo prazo”, diz Vitor Filgueiras, pesquisador da Fundacentro e idealizador da proposta, “é garantir a todos os resgatados que desejem se engajar em atividades rurais, uma

possibilidade sustentável de vida digna e verdadeiramente autônoma”. O funcionamento é simples: as três instituições envolvidas - Fundacentro, Ministério Público do Trabalho (MPT) e UFBA - se articulam para fomentar a formação das associações, voltando suas atuações nos processos de resgate para os objetivos do Projeto: o MPT, por exemplo, direciona os recursos das multas por danos morais coletivos, oriundos de procedimentos administrativos do MPT ou processos da Justiça do Trabalho, para financiar a compra de equipamentos, insumos e mesmo a terra, garantindo apoio durante três ciclos de produção. Essas articulações envolvem também os parceiros dessas instituições, como prefeituras, Embrapa e Sebrae, que ajudam na assistência técnica, jurídica e com equipamentos. A Fundacentro e a UFBA coordenam toda a operação e ajudam com assistência técnica e formação profissional.

Agora com 10 associações e 15 unidades produtivas, projeto comemora os primeiros resultados em três anos de operação

Associação Agroecológica de Aracatu Bahia (Aagroab) - Aracatu/BA
criação agroecológica de galinhas e hortaliças
3 unidades produtivas.

Associação Vida Pós Resgate da Região do Cacau da Bahia (Vidacacau) - Una/BA
plantação de cacau  
1 unidade produtiva

Associação Vida Pós Resgate no Sertão - Monte Santo/BA
criação de ovinos para corte
1 unidade produtiva.

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O Vida Pós Resgate nasceu de um projeto de pesquisa desenvolvido de 2017 até 2021, uma parceria entre a Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª Região, para entender o destino dos trabalhadores resgatados da escravidão contemporânea. “Depois de concluir essa fase investigativa, o projeto passou a se dedicar à viabilização da proposta de uma nova política pública, para criar, organizar e desenvolver associações para a produção agroecológica liderada pelos trabalhadores resgatados e suas famílias”, explica Rafael Vieira da Silva, coordenador operacional do projeto.

Os primeiros pilotos começaram no segundo semestre de 2021 e um ano depois, foram fundadas duas associações. O critério para fazer parte dessas associações, além de ser um trabalhador resgatado e desejar se dedicar à produção rural, é produzir alimentos saudáveis, utilizando técnicas agroecológicas. Segundo Rafael, “o objetivo é garantir a esses trabalhadores renda suficiente para torná-los livres do mercado de trabalho e da necessidade de sair de seus locais de residência”. 

PROJETO COMEÇOU
NA BAHIA HÁ TRÊS ANOS 

plantio.png

Associação Caminho do Futuro - São Domingos/BA
criação de ovinos para corte
1 unidade produtiva.

Associacao Vida Pós Resgate Coité do Sisal - Conceição do Coité/BA
criação de ovinos para corte
1 unidade produtiva.

Associação Vida Pós-Resgate em Bonito - Bonito/BA
criação agroecológica de galinhas, plantação de café, maracujá e peixes
2 unidades produtivas.

Associação Vida Pós-Resgate em Várzea Nova - Várzea Nova/BA
criação agroecológica de galinhas
1 unidade produtiva.

Associação Vida Nova Pós Resgate de Boqueirão dos Carlos em São Gabriel/BA - São Gabriel/BA
criação agroecológica de galinhas
1 unidade produtiva.

Associação Vida Nova Pós Resgate dos Quilombolas de Berilo/MG - Berilo/MG
criação agroecológica de galinhas
2 unidades produtivas.

Associação Vida Nova Quilombo Córrego do Saco - Chapada do Norte/MG
criação agroecológica de galinhas
2 unidades produtivas.

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