Cidadania

11 de julho de 2022

Manifesto propõe a criação do Sistema Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora no Brasil

O grupo de Trabalho e Saúde do Instituto Walter Leser/Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, propõe a criação de um sistema inter setorial para aumentar o mercado de trabalho formal, melhorar as condições de trabalho e proteger a saúde dos trabalhadores. A proposta foi apresentada no dia 5 de julho último em reunião ampliada, que contou com 60 pessoas de referência de diferentes segmentos sociais.

Para saber mais sobre a proposta, assista à apresentação de Maria, acima, ou leia o Manifesto aqui

Para aderir ao Manifesto, clique aqui

“Vamos precisar de vários milagres, mas os milagres existem e se tornam realidade se lutarmos por eles”, disse Maria Maeno, médica e coordenadora do grupo ST do IWL/FESPSP, no final da apresentação da proposta de criação do Sistema Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Sinastt). "O Sinastt teria uma estrutura semelhante ao exitoso Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), que conta com a participação da Casa Civil da Presidência da República e 20 Ministérios e Secretarias especiais", explica. Uma rede robusta e inter setorial, que envolve movimentos populares, entidades sindicais, conselhos de saúde, além de ter forte enraizamento nos estados e municípios.   É de implementação difícil, porém capaz de persistir no tempo e resistir a governos hostis como o que temos no momento. “O primeiro milagre é conseguir que o governo federal tome para si a ideia, como uma missão. Com a fome foi assim, os governos Lula e Dilma  abraçaram a causa”, afirma.

  A reunião foi organizada para ampliar o apoio ao Manifesto, proposto pelo grupo do IWL, que estuda e discute a questão há seis meses, insuflados pela

drástica piora nas condições de trabalho, associada a perda de direitos provocadas pelas reformas trabalhista e da previdência e que resultam em exclusão social, aumento da criminalidade e, no limite em mais mortes.

  Segundo dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab – MPT/OIT), nos últimos 20 anos (2002-2020), 49.350 trabalhadores formais morreram durante o trabalho no Brasil. Maria compara este número aos 58.200 soldados estadunidenses mortos em 20 anos de Guerra do Vietnam. "O mundo do trabalho tem sido um espaço de massacre dos trabalhadores com grande subnotificação dos mortos e feridos. Estes números referem-se apenas aos trabalhadores com carteira assinada, que tradicionalmente e atualmente mais do que nunca,  representa uma minoria da nossa força de trabalho”, argumenta a médica.

  Quando a reunião terminou, o Manifesto já contava com mais de 100 assinaturas de lideranças sociais, sindicais e políticas, e a adesão de 12 entidades, que a partir de agora, buscam ampliar essa lista e articulam para viabilizar a criação do Sinastt. “Começamos bem”, comemora Maria.

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Comentários

“Penso que caberia também abordarmos sobre a Ratificação da Convenção 190 da OIT. - Eliminação da violência e do assédio no mundo do trabalho.”
Carla Rita Bracchi Silveira
Advogada, Ilhéus/BA

“Estamos num processo de eleições para Diretoria do Sindicato dos Metroviários, estou reivindicando a colocação da Saúde do Trabalhador como um eixo da nossa chapa, em que temos uma Mulher/Camila Lisboa, atual Coordenadora do Sindicato dos Metroviários de São Paulo”
Antonio Takahashi
Presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo

“Amig@s, gostaria, inicialmente, de manifestar minha satisfação em reencontrar tantas pessoas queridas, em segundo lugar, saudar essa grande iniciativa, neste momento em que as forças progressistas retomam o protagonismo no cenário nacional.”
Plínio Pavão
Agora É Para Todos - movimento de oposição bancária / Bancário aposentado

“Parabenizo a todos pelo documento. Acredito em sua importância e será um avanço para a Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras. Pode contar com apoio da Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora e com o meu apoio pessoal. Vivi como Enfermeira a implementação da RENAST e Políticas de Saúde do Trabalhador no âmbito do SUS e sei que o caminho é árduo, mas não impossível.”
Fernanda Moura D Almeida Miranda
Presidente da ABRASTT- Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora

“Por uma nova PNSTT onde a classe trabalhadora tenha voz, participação e poder de decisão.”
Walcir Previtale Bruno Dantas de Oliveira
Sindicato dos Bancários de São Paulo

“Muito contente com a proposta do manifesto e com essa reunião!”
Iara Boccato
psicóloga do trabalho

Estamos juntos, e como falou a companheira, não é só apoio moral, acho que todos aqui nos colocamos como militantes mesmo, para dividir e cumprir tarefas para avançarmos aqui na proposta!!! Parabéns companheirada!!
Roberto Ruiz
Médico do Trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

“Um prazer estarmos num Fórum com contribuições tão diversificadas! Essas falas nos enchem de esperança pela possibilidade de uma grande rede.”
Eliana Pintor
Núcleo Semente - Sedes Sapientiae e Instituto Walter Leser da FESPSP

“Muito bom participar dessa reunião, super enriquecedora e de muito conhecimento, a saúde do trabalhador não é assumida no núcleo, nem de governos progressistas e nem dos movimentos, é preciso que os movimentos feminino, antirracistas, sem teto, sem-terra se envolvam e sejam protagonistas etc. Por uma nova PNST onde a classe trabalhadora tenha voz, e participação e poder de decisão.. temos que lutar para reverter as privatizações explícitas e disfarçadas”
Kiel Leitte

“Importante colocar a proposta para todos os candidatos! Ao grupo de trabalho que elabora o Programa de Governo do Lula e também para candidatos de esquerda a deputados estaduais e federais.” ... “Uma outra proposta é realizar uma atividades preparatórias para a 17ª Conferência Nacional de Saúde, vinculada com a Frente pela Vida tratando da criação do Sistema Nacional de Saúde do Trabalhador”
Helenice Yemi Nakamura
Membro da Comissão de Ensino da SBFa, Conselheira municipal e nacional de saúde e Núcleo Semente

“A proposta é histórica porque toca na questão da saúde dos trabalhadores como algo que vai além do campo da saúde do trabalhador. Reforça o reconhecimento do protagonismo da classe trabalhadora na saúde do trabalhador, mas também cria contingências (e provoca) para que os movimentos discutam a saúde do trabalhador como campo que deve ser protagonista nas lutas, no SUS, no Governo, no Estado-nação etc.”
Diego Souza
UFAL e Instituto Walter Leser da FESPSP