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DOSSIÊ COVID NO TRABALHO

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“Foi muito impactante”

Danilo Araujo Chamadoira

49 anos
assistente jurídico

  Danilo Araujo Chamadoira, assistente jurídico, tem 49 anos e é um atleta amador. Costumava correr meias maratonas (21 km) e estava bastante habituado a treinos intensos. Mesmo assim, desenvolveu a forma grave da COVID-19, foi internado no dia oito de maio, entubado dois dias depois e levou quase quatro meses para voltar à vida mais ou menos normal. Não tem as sequelas mais comuns da doença, como cansaço ou falta de paladar e olfato, mas enfrenta os danos físicos e psíquicos provocados pela longa estadia na UTI, onde ficou 40 dias entubado. Além de ter perdido muita massa muscular - emagreceu cerca de

30 quilos em um mês mais ou menos -, perdeu também o vínculo com a esposa e os dois iniciaram o processo de separação. 

  Danilo ainda se emociona ao lembrar o início da fisioterapia, quando andou pela primeira vez na esteira, ou do encontro com os dois filhos depois de sair do hospital. “Foi muito impactante”. Outrora sem músculos suficientes sequer para se sentar com conforto, agora já voltou às atividades esportivas, especialmente focando no fortalecimento, sempre “respeitando o meu corpo”, sendo que seu desempenho no trabalho também já se normalizou. Leia o seu depoimento abaixo. 

ENCONTRO
Danilo se emocionou durante o relato ao lembrar da primeira vez que pode se encontrar novamente com os seus filhos. Este momento foi gravado. Veja abaixo 

  “Fui internado em oito de maio de 2021, com o pulmão sendo tomado (pela doença) e depois tive uma grande infecção, que atingiu 25% do pulmão. Para poder continuar o tratamento fui entubado no dia 10. 
  Fiquei 40 dias em coma induzido. Saí no final de junho, também graças à enorme força dos familiares e amigos, que fizeram diversas sessões de oração para meu retorno. Voltei para o quarto e fiquei até oito de julho no hospital. Do hospital fui para a clínica de reabilitação, a Humana Magna, onde fiquei mais 30 dias. Os problemas maiores foram na parte motora. Em momento algum tive falta de ar, mas saí da UTI sem falar, andar e deglutir, e com 20 dias de fisioterapia e sessões de fonoaudiologia, já no quarto, melhorei bastante, saindo do hospital com as habilidades readquiridas, ainda que com andar claudicante, algo que só melhorou após os 30 dias na clínica, de onde saí em oito de agosto. A partir de então, fiz fisioterapia até outubro na academia do prédio, quando tive alta.
  Voltei a trabalhar no final de setembro, remotamente – e agora, vida normal. Não me sinto 100% como na pré-covid, meu condicionamento ainda está ruim e tem a questão muscular, ainda em recuperação. Meus músculos atrofiaram e perdi 30 quilos. Eu não conseguia sentar em banco de madeira porque não tinha mais nenhum músculo nas nádegas. Era como sentar direto no osso. Também não conseguia carregar meus filhos no colo. Mas hoje essa situação melhorou bastante graças aos treinos na academia, com plena recuperação da musculatura. Mas, mesmo assim, não tem comparação – antes eu corria meia maratona (21km).
  Treinava bastante. Fui infectado em um domingo e até a sexta-feira seguinte não sabia. Na tarde em que recebi a notícia da Covid tinha corrido 10 km pela manhã. Acredito que a corrida me ajudou muito na recuperação, até porque não tive problemas no rim e no coração. A doença teve uma forma muito grave em mim – no dia 20 de maio cheguei a ser desenganado e, nos dias seguintes, com o organismo estável, meu corpo finalmente reagiu aos medicamentos e pude melhorar. 
  Agora estou indo devagar, respeitando o meu corpo e descobrindo os limites. No hospital e na clínica me deram muita proteína e até engordei, chegando aos 94 quilos, sendo o ideal 88, no máximo 90 quilos. Agora, com os exercícios semanais, consigo equalizar o peso e melhorar o colesterol, que subiu bastante devido à “dieta de engorda”. Vou à academia de três a quatro vezes por semana e faço corridas leves e bicicleta cerca de três vezes na semana. 
  Quando voltei à academia, ainda na clínica de recuperação, a primeira vez que consegui andar na esteira, a uma velocidade de 1,4km/h, chorei de emoção. Foi uma experiência muito impactante e ainda tenho alguns lapsos de memória, além de ter ficado quatro meses em licença médica, sem trabalhar. Quando voltei, no fim de setembro, estava com grande ansiedade porque não sabia como meu cérebro reagiria. Todos da equipe, aliás, estavam ansiosos, mas minha memória estava quase intacta, o que permitiu uma rápida estabilização. Agora está tudo normal no trabalho.
  Tenho três filhos – uma moça de 18 anos e dois garotos, um com sete e outro com cinco anos. O reencontro com meus filhos foi o mais emocionante. Hoje está tudo bem com a família, embora meu casamento tenha acabado. Ficamos, eu e minha ex-esposa, 90 dias longe e ela, guerreira, segurou a situação com nossos filhos e me acolheu em meu retorno. Voltei com uma sensação de não pertencimento em relação ao espaço e às minhas coisas, o que me levou à psicanálise, que faço até hoje e pretendo não parar. Essa sensação passou à medida em que pude reassumir as funções e atividades que tinha em casa e no trabalho (home office). Do distanciamento entre nós percebemos, então, que só me restava partir para uma nova vida. E é exatamente o que estou fazendo, priorizando totalmente a criação dos meus filhos. Eis a minha missão."